
A vida da Loira
Aprende-se a ser pai?
Carta aberta para o meu pai:
Espero que saibas que eu te amava e que te amo mesmo com todas as lembranças do passado, as lembranças da tua ausência. Eu precisava de ti, precisava de saber como era levar um "ralhete" do meu pai, como era o meu pai me deixar de castigo, como era ficar sem telemóvel... eu ficaria sem tudo, de castigo, mas eu jamais queria ficar sem um pai ao meu lado.

A mãe ajudou-me a crescer, educou-me, estruturou o meu carácter e fez de mim a mulher que sou hoje, encheu-me de confiança e mostrou-me que um dia iria conquistar o mundo com os meus sonhos, ela esteve lá a consolar as minhas tristezas e a alegrar-se das minhas alegrias, ensinou-me a espantar os meus medos e a convocar a coragem. Deu o seu melhor, num papel que devia ter sido dividido por dois. Por muito que ela preenche-se todos os vazios que tu deixaste quando decidiste que o divórcio do teu casamento era também o divórcio dos teus filhos, continuou a faltar algo ou alguém. Porque não estava lá ninguém para fazer as perguntas directas e não evitar as conversas difíceis mesmo quando isso custa.
Um pai faz uma falta terrível. Não é só um vazio físico de uma figura que nunca tivemos, Neste caso, é alguém que mesmo "estando" não quis (ou não soube) exercer o seu papel. Um pai ausente, é pior que um pai que nunca chegamos a conhecer. Ele deixa uma ferida aberta no coração. Viver com ele é crescer junto de uma figura paterna que apesar de estar, é incapaz de contribuir com o seu carinho e reconhecimento, é incapaz de nos dar asas para voar e coragem para enfrentar o mundo.
Eu só queria que entendesses que um pai não é apenas o que dá a vida, um pai é muito mais que isso, um verdadeiro pai educa, cuida, protege e ama o seu filho independentemente do rumo que o seu casamento possa tomar. Ser pai não é um fato que se possa despir quando bem te apetece, virar-lhe as costas e esquecer que existiu. Eu realmente tenho pena de não te ter dado o meu amor incondicional que tinha reservado só para ti, tenho pena que não tenhas estado lá no meu baile de finalistas, nas minhas festas de aniversário, no meu primeiro dia de faculdade. Tenho pena que não saibas que detesto o frio mas adoro o Natal, que adoro passear na praia e andar de bicicleta, tenho pena que não conheças a tua filha e que nem se quer tenhas dado uma oportunidade a ti mesmo para gostares dela. Porque no fundo é isso que eu penso que o meu pai não gosta de mim e eu não fiz nada para ele não gostar.
Terça-feira, 18 de Setembro de 2017
Tenho medo do escuro
Ou nictofobia para quem quer ser chique

Desde criança que durmo de luz acesa, e neste mesmo momento tenho uma app no telemóvel instalada que se chama «Luz Noturna» e funciona como uma luz de presença, eu sei... sou rídicula! Mas a verdade é que dormir às escuras traz-me pavor e falta de ar, a partir do momento em que apago todas as luzes o meu cérebro começa a sugerir imagens e situações que poderiam eventualmente acontecer, como por exemplo, um assalto, possessões demoníacas ou a visita de um espírito. O medo começa a falar mais alto e dou por mim tensa e ansiosa. Mas este medo tem uma explicação: a aterrorizante paralisia do sono. Para quem nunca teve eu passo a explicar: imaginem acordar a meio da noite e perceber que não conseguem mexer-se, não podem ver nada (pois está escuro), mas conseguem sentir a presença de algo no quarto ou mesmo algo à tua frente que te sufoca. Eu sei... parece algo sobrenatural mas a ciência já explicou tudo (google it!), no entanto eu sou um bocado paranóica e como essa situação já me aconteceu mais do que uma vez, continua a dormir de luz acesa para poder ver tudo e ter tudo bem controladinho.
Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017
O dia em que fiz franja
Ninguém estava à espera, eu própria não estava à espera. Quem me conhece sabe que me farto rápido do mesmo look, gosto de inovar, gosto de mudar, e como sabem se há coisa que nos deixa diferentes é o cabelo.
Gostava de fazer algo novo, não de pintar ou fazer madeixas, porque eu não me vejo com outra cor sem ser o loiro, para mim é impensável pintar o cabelo de outra cor, por isso pensei em mudar de corte. Na véspera dos meus anos, dirigi-me à Sanjam do Colombo em Lisboa (na altura em que ainda morava lá), muito nervosa e cheia de medo porque só tinha ido lá uma vez (mas correu bem) e apresentei esta imagem à cabeleireira:

Pois é, pessoal... eu queria a franja da Belinha, nunca gostei de franjas mas para mim a franja da Belinha era qualquer coisa! Era o refresh ideal para o meu look! A reação das pessoas foi: "Wow, estás diferente!" para mim este é o comentário mais horrível que me podem dar cada vez que faço uma mudança de visual porque soa a: "Ai antes estava melhor!", e realmente estava, admito foi um erro. Mas o maior problema veio a seguir: é que o meu cabelo natural não é liso, é meio ondulado, por isso como podem imaginar a porra ficou séria. Não ficou assim tão séria porque de repente a minha melhor amiga passou a ser a chapinha, né? E o que aconteceu a seguir já todas estávamos à espera, estraguei o cabelo todo, tinha as pontas super finas e fracas e o meu cabelo nunca mais crescia. Por isso este Verão pus a "chapinha" de lado e tentei disfarçar esta maldita franja que tantas dores me cabeça me deu, mas que graças aos céus já está a crescer aos pouquinhos. E este é o look que eu adotei agora até a malditinha crescer (uso litros de espuma, mas a cabeleireira diz que não há problema).
Sábado, 16 de Setembro de 2017
