O que a Loira pensa

Quem se importa mais?

Século vinte e um: relações fantasma, a morte do sentimentalismo, o medo da entrega e os jogos psicológicos. Estaremos nós tão focados em ser amados que nos esquecemos de amar?

Acabaram-se os planos para o futuro, a ideia de que o casamento é o caminho para a felicidade do casal já não existe, hoje vivemos na era da fuga aos compromissos e responsabilidades. O que está na moda é viver o momento. Se na era dos nossos pais e avós o que reinava era o sentimentalismo meloso e as demonstrações exageradas de afeto, hoje o que vale é o desapego, e vale muito, já faltou mais para ver um casal aos estabefes no meio da rua a disputar quem se importa menos na sua relação. 

Dou-vos um exemplo sobre esta nova religião do desapego, o pensamento é o seguinte: «se ele demorou duas horas para me responder no WhatsApp, isso quer dizer que eu devo esperar mais duas para responder, para  não parecer a desesperada que olha de minuto em minuto para o telemóvel, certo? » Errado. O medo da entrega numa relação tem feito de nós uns ridículos e covardes. Carinho na frente dos outros? Nem pensar! Dizer "eu amo-te" é ditar a própria sentença de morte. Afinal de contas não é preciso nada disto, é escusado estar a arriscar tanto... basta uma fotozinha do género casal do Tumblr nas redes sociais, que toda a gente fica a saber que o vosso amor é eterno e perfeito.

Com redes sociais ou sem redes sociais todos querem o mesmo: não ficar sozinhos. Hoje, é cada vez maior o número de amores fugazes. Vive-se a era do "por enquanto é isto", esquece-se o cultivo do amor, ilude-se muito, respeita-se pouco e o egoísmo é cultivado o tempo inteiro. Afinal, para quê me preocupar com os outros? Estamos sempre cheios de pressa, queremos é conhecer gente nova para deitar fora a gente velha.

Todos sabemos que o amor não acontece como nos filmes da Disney, mas hoje em dia um bom carro, uma apresentação cuidada, uns abdominais definidos, e cem mil seguidores no Instagram só por seres personal trainer ali no Holmes Place das Amoreiras e treinar as dondocas lá dos condomínios fazem de ti um príncipe encantado mesmo com esse feitiozinho de merda. Onde eu quero chegar é que para além de vivermos na era do desapego (que só por si já é grave), existe uma coisa ainda pior que está a contaminar a nossa geração: as futilidades, e o "parecer" (mas nem sempre se é). O amor? Sim aquele que deveria ser dos sentimentos mais puros que deveria existir... até esse foi sugado pelo capitalismo.

Seguindo este caminho fatal fugimos cada vez mais de nossa própria realidade, da nossa essência... porque sim... toda a gente precisa de amor e nós ainda gostamos de nos envolver, de andar de mãos dadas na rua, de gostar, de amar, de dizer coisas lamechas e sobretudo gostamos de nos sentir livres e à vontade para dizer e fazer tudo isso sem ter vergonha de ser o que dá mais ou menos.

Terça-feira, 26 de Setembro de 2017


Ser gordo é pecado?

Numa sociedade onde o corpo é a mais importante forma de presença e identidade e os cuidados com ele são quase uma espécie de religião, será que ser gordo tornou-se realmente um verdadeiro pecado? 


"As pessoas têm medo de engordar, elas comem um bolo e já pensam ''vou ter que compensar no ginásio mais tarde'". Numa cultura que diz que a gordura é uma doença e a criminaliza, a magreza torna-se um projecto moral e ser gordo torna-se uma "falha de carácter".
Mas ser gordo nem sempre é um problema exclusivo de uma alimentação pouco cuidada ou de falta de exercício físico, existem outros factores que podem determinar aquilo que a balança dita: a genética, os antepassados familiares ou o próprio metabolismo. Mas quantas vezes já ouviram alguém a sair-se com um destes infelizes comentários: "é gordo porque quer, que faça uma dietinha..." ou então "ui coitada aquela tem de aprender a fechar a boca...". 
A verdade é que ser fit está na moda, digam lá se mais de metade das pessoas que vocês seguem nas redes sociais não publicam de vez em quando uma foto toda artística do seu pequeno-almoço mega fit? E isso rende likes não rende? E ficamos com uma boa impressão da pessoa e tudo... Mas há uma coisa que temos de perceber: ser gordo não é uma opção é uma condição e é um estigma social quando dizem que uma pessoa gorda não pode ser saudável. Ninguém escolhe ser gordo, assim como ninguém escolhe nascer magro, alto ou baixo. Dizer que aquela é gorda, é simples, afinal falar todos falam, não é mesmo? No entanto a pessoa com excesso de peso enfrenta lutas diárias, com o preconceito e discriminação que a sociedade o proporciona. Porque o problema não está em ser gordo está na discriminação. A vida profissional é um dos sectores onde uma pessoa com excesso de peso encontra graves problemas, principalmente quando se trata de se candidatar a um posto onde o atendimento ao público é necessário, normalmente existe sempre o requisito boa aparência, uma forma subtil de dizer tens de ser bonita e magra se queres trabalhar aqui.  A pessoa pode também ter problemas em relacionar-se com alguém no campo amoroso. Sabendo que os outros a repudiam é natural que sinta que também no amor possa vir a sentir-se rejeitada. Este tipo de situações podem vir a tornar a pessoa extremamente nervosa, frágil e sem qualquer nível de auto estima. E, quando se apercebem realmente disso, a tendência é apenas uma: comer ainda mais. O importante é não deixar que a pessoa se vá abaixo, independentemente da sensação de discriminação que possa estar a sentir. Na realidade, uma pessoa gorda pode fazer tudo aquilo que uma pessoa com um peso normal faz. . Os obesos são pessoas iguais a outras quaisquer que apenas anseiam sobreviver numa sociedade que é de todos, gordos e magros, altos e baixos, negros ou brancos.

Por isso, vamos parar de olhar de esquina para alguém com alguns quilos a mais, a verdadeira beleza vai muito além dos estereótipos. E é importante salientar que eu com este artigo não estou a promover a obesidade nem o conformismo, estou apenas a tentar proteger estas pessoas da discriminação que sofrem diariamente.

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017


Mulheres que se cuidam não são pegas

O tema é sensível, e é vergonhoso ter de se falar nisto em pleno século vinte e um, mas a verdade é que a mentalidade do povo continua retardada e este é um assunto que me aborrece. Entendam isto: Mulher que se maquilha e se veste com gosto não quer chamar a atenção, não quer parecer mais que as outras, não está à procura de macho. Ela simplesmente sente-se bem assim e gosta dela assim. E sim, uma mulher destas é capaz de ter e cuidar de uma família, ela pode ser para a vida tal como as outras e é tão séria como as outras. Entendam que por ela dedicar mais tempo à sua imagem, ela continua a ter tempo para tudo o que outra mulher faz. Nos tempos que correm, entristece-me ouvir comentários como: "Só se maquilha e veste-se assim para dar nas vistas!", "Olha esta produziu-se toda para ver se arranja um!", "Aí vais a algum baptizado ou casamento? Estás um pouco demais hoje, querida". Comentários completamente ridículos e absurdos, de pessoas que se calhar vivem na sua insegurança e não se esforçam para se sentirem bem porque têm medo daquilo que os "outros" vão dizer. 

Minha gente! Cada mulher é um ser único e delicado, são criaturas lindas e maravilhosas cada uma com os seus detalhes, as que se maquilham e se arranjam fazem parte desse leque, não são mais, nem menos que as outras, elas querem simplesmente serem respeitadas, sem julgamentos, sem se sujeitarem aos piropos ridículos que ouvem na rua e os olhares de repudio das outras mulheres.

Deixo-vos com um print de um texto que escrevi na minha página do facebook no Dia Internacional da Mulher:

Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

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Blog oficial: Sim, é a loira! by Daniela Oliveira
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